sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Minha homenagem a uma flor que jaz no campo

A alguns dias atrás estava lendo o jornal, determinada a extrair o máximo de conteúdo possível, li cada partezinha inclusive o obituário. Deparei-me com uma manchete que simplesmente congelou meu corpo: "Vanete Almeida, aos 69.Uma líder feminista no campo". Ora bolas, eu como grande simpatizante e adepta do movimento feminista me senti um pouco mal por não conhecê-la, uma mulher de história tão grande, percorreu diversos lugares, sem dinheiro, pedindo carona na estrada, com um único objetivo, conscientizar as mulheres de seus direitos, em um lugar do Brasil tão precário em questões de informação, educação e dignidade humana. Sua determinação me comoveu de uma forma indescritível.

Participando de diversas comunidades e grupos de discussão de gênero fiquei indignada por saber que uma guerreira brasileira não era mencionada. Me dói  um pouco o coração ver que a vida pessoal do Ralph Fiennes merece mais espaço do que essa grande mulher, Vanete Almeida.

E finalmente presto através de alguns versinhos minha homenagem a essa líder feminista cuja luta apertou meu coração de todas as maneiras.


Mulher de força e raça
pobre vítima do corpo
esse que é arma de luta
e na essência apenas comboio.

Guerreira cor de rosa
jaz no campo verde
transformando-se de guerreira
em botão de rosa.
Flor de um mundo cinza
pinta com sua história
esses corações aleatórios

Fardada de pétalas e saia
transforma com tuas armas
essas pobres desconhecidas almas.
Tua imagem me instiga a escrever
e de alguma maneira
fazer tua imagem guerreira
no coração do mundo permanecer!

Um girassol ilumina tua lápide
reluz verde e amarelo
em teus caminhos além de Brasil
Líder do mundo, de Pernambuco
da América feminista!

Esqueçam Simone e Frida
hoje respiremos o perfume
de Vanete de Almeida.

Outro de amor

Em uma corrida de ônibus
adormecida em teus braços
percorrendo diversos pontos
Dei-me por ti em tudo que faço

Chega a noite, choramos seco

selamos o fim de um dia com beijos.
O brilho da Lua escorre negro
sem te ter pela minha pele nua

Cansada, sozinha eu me deito

relendo palavras suas
guardando as eternas juras
de um amor eterno,
de um amor etéreo.

Pego seu chapéu de palha
para colher nossos girassóis
visto sua calça preta de malha
e me adentro contigo nos lençóis,
sussurro ‘Bom dia Chico’
e você diz ‘ passe a eternidade comigo’

Como é triste a realidade

prefiro viver em nossos sonhos
até que de tanto sonhar
eles tornem-se verdade.

Temos um encontro marcado
ando pela cidade até o Grajaú
sentamos no banquinho verde
me dizes que está apaixonado
sorrio, guardo em um baú
os segundos todos ao teu lado.

Vou para casa um pouco atrasada
relembrando cada instante
rio sozinha de também apaixonada
e me ponho a escrever
todos esses versos incessantes
feitos só pra você.

Tomamos um cafezinho a tarde
um sem açúcar outro com adoçante
afinal já somos de meia idade
e escolheste tu uma esposa implicante.
Abro um baú meio empoeirado
rimos um do outro abraçados.
Meu amor, como é lindo
esse futuro passado