sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Caminho ao museu do índio
Se vejo, choro.
Se ouço, ensurdeço.
Se cheiro, apodreço.
Se sinto, me despedaço.
Se falo, logo me calo.
As crianças correndo
competindo com o vento
passam pela construção gris,
passam por corações vis.
Invadem-me os olhos
as águas cinzas do maracanã
Rompem-me os sonhos
os caminhos de toda manhã.
Uma maritaca e uma cigarra
anunciam o amanhecer
Uma furadeira e um guindaste
anunciam que é hora de viver.
Em meio a alta perfuratriz
resta-me a memória melódica
daquele rouxinol que um dia foi feliz.
Na aurora ainda descansa o doce odor
que exalou o peculiar jasmim da noite.
na cama os sonhos, na calçada só a dor
de caminhar rumo ao diário açoite.
O aroma floral perde espaço,
tortura o corpo tal ar putrefato
das margens que invadiram os olhos
das furadeiras que percorreram os ossos.
Os baques da construção
são os baques que pouco a pouco
colam pregos em meu coração.
A cada pedra monumental que se perde
é uma asa falha tentando bater
em meio a correnteza inerte.
Se me encontro lá, sinto tudo
de todas as maneiras.
Tamanho golpe faz ser mudo
meu corpo, e as passagens corriqueiras.
Não porque não quero a todos falar
mas porque me faltam forças para gritar.
Ninguém ouve
Ninguém sente.
No final ninguém soube
das maldades que sorrateiramente
passaram pela gente.
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Que turbilhões de emoções me fez sentir! Se puder, me visite e seja uma membra, para ajudar na divulgação do meu humilde e novo espaço. Abraços, Lucian (http://www.poemasintrovestidos.blogspot.com.br/)
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