Essa
é uma história de amor
mas não prepare seus lenços
nada aqui fugirá do clichê
do qual todos acostumamos a ler.
É uma história igual a várias outras,
sempre fácil de descrever.
Dois jovens que estudavam na mesma sala:
um era fofoqueiro e gostava de filosofia
uma era religiosa e gostava de poesia.
Eles mal se falavam, mal se viam,
em um colégio preparatório
que guiava seus destinos.
Interrompo os versos narrativos
para declarar a imparcialidade
fatal do meu eu lírico:
narrar o passado através do presente
é tentar escrever um sentimento
incompleto, carente dos registros antigos
que nunca foram realizados.
Não posso afirmar o que eram,
talvez o menino não fosse fofoqueiro
talvez a menina não fosse mais religiosa.
Necessitaria talvez de um diário
para acender minha memória
e tornar minha breve história
completamente verídica.
Como todos já sabem,
registro aqui mais uma coisa,
o eu lírico é a menina
que gostava de poesia,
e como já hão de saber
os dois ficam juntos no final.
Antecipo qualquer decepção
do leitor que esperava algo mais genial.
Quero manter rimas concentradas
apenas no universo do casal,
então dispenso aqui um elemento tão essencial:
a amizade de um grupo de amigos
que tornou essa história real.
Alguns anos se passaram,
não dou um número exato
porque o amor dispensa
contagens de tempo,
mas eis que estão juntos agora
vivendo o mais intenso momento,
vivendo o mais lindo romance.
Pouco falei de suas trilhas
mas garanto-lhes, eles estão bem.
Não sabe-se o porquê, leis do universo
desconhecidas talvez expliquem
o que todos querem entender,
a ordem do mundo que sutilmente
une a mesma maneira tantas vidas.
Tiro a máscara de terceira pessoa
conto agora a minha história.
Hoje sou ateia, impressionada
com o pouco que vivi.
Hoje sou poetisa que canta lágrimas
da perfeição do que nunca entendi.
Como nasce o amor,
como constroem-se tão belos laços?
Ah!! A delicadeza do espaço!
Ah!!! Como é bonita a flor do acaso!!
Abandonei a religião, fiquei com a poesia
meu par, reservado, ainda guarda a filosofia.
Dançamos o milagre que alguns chamam tempo,
eu chamo de liberdade, porque a cada dia
me sinto mais livre presa nos braços do
amor.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Memórias
Tento ser Dom Casmurro
a atar as duas partes de uma linha,
resgatar no presente, o passado,
um amor fracassado, uma poesia só minha.
Se dançamos o efêmero das folhas de outono
nem que tenha sido por um segundinho
Hoje respiramos o perfume das flores
herança das estações, obra de um passarinho.
Tudo que precisávamos era força
mas o vento nos arrastou para longe.
Tudo que vivemos foi estação,
começamos pela beleza singela do outono
e terminamos com o sentimento confortante
de um inesperado verão.
A Lua a banhar nossos caminhos
e o Sol a iluminar nossas memórias,
tudo o que vivemos foi lindo
como um sonho, que dura só uma noite
mas nunca é esquecido.
resgatar no presente, o passado,
um amor fracassado, uma poesia só minha.
Se dançamos o efêmero das folhas de outono
nem que tenha sido por um segundinho
Hoje respiramos o perfume das flores
herança das estações, obra de um passarinho.
Tudo que precisávamos era força
mas o vento nos arrastou para longe.
Tudo que vivemos foi estação,
começamos pela beleza singela do outono
e terminamos com o sentimento confortante
de um inesperado verão.
A Lua a banhar nossos caminhos
e o Sol a iluminar nossas memórias,
tudo o que vivemos foi lindo
como um sonho, que dura só uma noite
mas nunca é esquecido.
sábado, 4 de agosto de 2012
Trompetes ressonantes
Abro as janelas e ilumino a alma,
lá fora faz frio e as pessoas dançam
o sentido da vida, composto de Sol e neve,
queimando a pele com gelo cortante.
Do lado de dentro há girassóis que padecem
sofrendo pela geada que invade, pelas nuvens sofridas
destruindo a beleza dos sonhos que aquecem.
Hoje é primavera em meu coração
mas o inverno tortura as ruas a todo instante
e a cada segundo caem flores pela dor, pela emoção
de ser impotente pra acabar com cada sofrimento,
pra sanar a tristeza dessa geada tão, tão torturante.
Ah, quem dera eu ser natureza plena,
ditar como trompetes ressonantes a felicidade.
Quem dera eu ser nuvem, vento, noite serena
que acalma os mares, que descansa os prantos dessa cidade!
Tantas rosas no mundo, cada uma marcada pela cicatriz
caracterizando guerreiras, fortes que carregam esses espinhos vis.
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