segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Um momento existencial

Essa é uma história de amor
mas não prepare seus lenços
nada aqui fugirá do clichê
do qual todos acostumamos a ler.
É uma história igual a várias outras,
sempre fácil de descrever.

Dois jovens que estudavam na mesma sala:
um era fofoqueiro e gostava de filosofia
uma era religiosa e gostava de poesia.
Eles mal se falavam,  mal se viam,
em um colégio preparatório
que guiava seus destinos.

Interrompo os versos narrativos
para declarar a imparcialidade
fatal do meu eu lírico:
narrar o passado através do presente
é tentar escrever um sentimento
incompleto,  carente dos registros antigos
 que nunca foram realizados.

Não posso afirmar o que eram,
talvez o menino não fosse fofoqueiro
talvez a menina não fosse mais religiosa.
Necessitaria talvez de um diário
para acender minha memória
e tornar minha breve história
completamente verídica.

Como todos já sabem,
registro aqui mais uma coisa,
o eu lírico é a menina
que gostava de poesia,
e como já hão de saber
os dois ficam juntos no final.
Antecipo qualquer decepção
do leitor que esperava algo mais genial.


Quero manter rimas concentradas
apenas no universo do casal,
então dispenso aqui um elemento tão essencial:
a amizade de um grupo de amigos
que tornou essa história real.

Alguns anos se passaram,
não dou um número exato
porque o amor dispensa
contagens de tempo,
mas eis que estão juntos agora
vivendo o mais intenso momento,
vivendo o mais lindo romance.

Pouco falei de suas trilhas
mas garanto-lhes, eles estão bem.
Não sabe-se o porquê,  leis do universo
desconhecidas talvez expliquem
o que todos querem entender,
a ordem do mundo que sutilmente
une a mesma maneira tantas vidas.

Tiro a máscara de terceira pessoa
conto agora a minha história.
Hoje sou ateia, impressionada
com o pouco que vivi.
Hoje sou poetisa que canta lágrimas
da perfeição do que nunca entendi.
Como nasce o amor,
 como constroem-se tão belos laços?
Ah!! A delicadeza do espaço!
Ah!!! Como é bonita a flor do acaso!!

Abandonei a religião, fiquei com a poesia
meu par, reservado, ainda guarda a filosofia.
Dançamos o milagre que alguns chamam tempo,
eu chamo de liberdade, porque a cada dia
me sinto mais livre  presa nos braços do amor.

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